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24 de Outubro de 2019

O valor do Trabalho, começando ainda criança - Legalidade x Mundo Real.

Pequeno Garoto, mas agradecido por ter começado prematuramente na sua carreira profissional.

Alexandre Antonio de Souza Eleuterio, Advogado
há 4 anos

Quando me deparo com o excelente artigo publicado pelo meu nobre colega e conterrâneo capixaba, Dr. Pedro Magalhães Gamen, intitulado CHOQUE DE REALIDADE, fez-me trazer a esta coluna o meu exemplo de vida, o qual muito se assemelha ao referido artigo, assim passo a narrar:

Morando no interior, já trabalhava desde os oito anos de idade e, pela inexistência de escola de primeiro e segundo graus naquela localidade, aos 15 anos de idade, resolvi me mudar para a cidade mais próxima e prosseguir nos estudos.

Apesar da família possuir recursos financeiros, devido a educação recebida, principalmente no que se refere ao trabalho para prover a subsistência, me matriculei no curso de ensino fundamental "Noturno" e imediatamente fui trabalhar para tentar prover o meu sustento próprio.

Entre idas e vindas por um trabalho e outro, consegui um emprego para o cargo de faxineiro numa terceirizada que prestava serviços para um Banco. Limpava a agência muito cedo e durante o expediente procurava aprender as tarefas que os funcionários daquela agência bancária executavam.

Decorrido um ano de serviços naquela terceirizada, os Diretores daquela Banco, rompendo com seus regulamentos internos, resolveram me contratar mas, como ainda não havia concluído o ensino fundamental e este seria um dos requisitos para a contratação de escriturarios, após aprovado nos exames que havia realizado, fui finalmente contratado para o cargo de servente (este sim não se exigia tal graduação escolar) mas para exercer de fato as funções de escriturário.

Já no ano seguinte, finalmente concluí o ensino fundamental, não fui promovido ao cargo de escriturário, mas sim para o cargo de chefia de seção, pois assim já estava capacitado.

Três anos após, concluindo o ensino médio, fui designado ao cargo de gerente para assumir as funções em Agência da Capital, onde permaneci por dois anos.

Da agência, partimos para a administração geral do Banco, desempenhando o cargo de Inspetor/Auditor, percorrendo e avaliando o desempenho das agências espalhadas por todo esse país - função exercida num período de quatro anos, passando pela capital Paraense e finalmente pela capital Mineira. Em seguida fui convidado para assumir as funções de Diretor numa das Empresas coligadas do Grupo com a missão de reestruturar a Empresa, torná-la economicamente viável implantando o projeto de incentivos fiscais existente - missão cumprida em 5 anos, quando decidimos montar nosso próprio negócio - atividade que mantemos, com sucesso, até os dias de hoje. Esses exemplos que queremos passar e mostrar que começar trabalhar desde cedo não traz qualquer prejuizo para o cidadão, muito pelo contrário, permite que este encare o mundo real e desenvolva habilidades para superar todas as dificuldades que a vida nos submete e que é preciso vencer, com muita dedicação e perseverança.

4 Comentários

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Bom dia Alexandre
Parabénssss pela história de perseverança e sucesso....., afinal, trabalhar desde cedo, apesar da questionável legalidade, ainda continua a nos surpreender.
Sucesso
Abraço
Elane continuar lendo

muito obrigado pela sua sensatez e apoio. Pois veja, Dra Elane, O Brasil precisa modernizar e flexibilizar as relações trabalhistas em prol do crescimento sustentável e dinâmico. Nossas leis, apesar de muito bem intencionadas, por vezes, se esbarra com o mundo fático. principalmente por sua rigidez e excesso protetivo. Precisamos flexibilizar o Princípio da Proteção ao Trabalhador, sem, evidentemente, negar seus direitos e desconsiderar a sua vulnerabilidade. continuar lendo

Parabéns Alexandre pelo depoimento, pois o que você relatou é o que a sociedade brasileira pensa. Eu também comecei a trabalhar bem cedo e me orgulho disto...vlw continuar lendo

Caro Professor Luiz Carlos, agradeço pela consideração e por ver o mundo real como é.
Vossa Excelência, como formador de opinião e de conceitos de vida, muito pode colaborar pela disseminação dos conhecimentos à luz da realidade.
Não podemos admitir, que se impeça um jovem de começar desde cedo se profissionalizar, lembrando, claro, sem prescindir da sua formação pedagógica.
Parabéns pelo seu realismo, afirmando com toda a certeza, estar no caminho mais adequado às necessidades de uma sociedade recorrente. continuar lendo